Arte no ensino fundamental engaja alunos na literatura, poesia e questões sociais

A música foi a porta de entrada para cativar alunos do ensino fundamental em relação à literatura, à poesia e às questões sociais. É o que mostra o projeto Arte e Intervenção Social, do professor de Língua Portuguesa Daniel Carvalho de Almeida, realizado na Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Aurélio Arrobas Martins, em Itaquera, bairro da zona leste de São Paulo. Ele conseguiu despertar nos alunos o interesse e o gosto pela literatura, a poesia e a criação literária. Agora, eles escrevem poesias e textos, e já publicaram dois livros. Veja algumas poesias no vídeo a seguir:

O primeiro, Entre versos controversos, foi lançado em julho de 2014. O segundo, Entre versos controversos – O canto de Itaquera, foi lançado no ano seguinte. “O sucesso do projeto foi tamanho que além da publicação dos livros, os alunos passaram a receber convites para apresentações culturais e saraus”, comemora o docente. O projeto foi o ganhador do Prêmio Paulo Freire de Qualidade de Ensino Municipal: em 2014 (terceiro lugar) e em 2015 (primeiro lugar).

O trabalho está sendo o foco do mestrado profissional (PROFLETRAS) que Almeida desenvolve na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sob a orientação da professora Maria Inês Batista Campos. Trata-se de uma pós-graduação stricto sensu em Letras e visa a capacitação de professores Língua Portuguesa para o exercício da docência no Ensino Fundamental.

“O projeto tem permitido analisar como os alunos utilizam sua escrita literária para refletir sobre questões sociais e entender a realidade do bairro de Itaquera. Eles aprenderam a questionar a realidade e se tornaram mais sensíveis às questões humanas”, destaca o professor.

A iniciativa começou em 2013. Como alguns alunos tocavam violão, eles passaram a levar o instrumento para acompanhar as músicas de MPB e de rock. A maioria tem entre 12 e 15 anos e está no oitavo e no nono ano do ensino fundamental, mas muitos já cursam o ensino médio. “Muitas vezes recebemos a visita de ex-alunos”, conta Almeida. As reuniões ocorrem após o horário das aulas, uma vez por semana, durante cerca de duas horas. Além da música, os alunos também leem e produzem textos. Foi aí que surgiu a ideia de publicar os livros.

O foco do trabalho é a criação literária a partir de imagens poéticas, onde o sentimento é o norteador para a elaboração do poema e não necessariamente a sua estrutura literária. “Ao abordar em sala de aula um tema como racismo, a discussão pode ser toda fundamentada por meio dos poemas que eles escrevem”, diz.

Fonte: EBC

Facebook Comments

Deixe uma resposta