MERCEDES VIEGAS abre duas exposições simultâneas: Raphael Couto e Cristina Lapo

MERCEDES VIEGAS abre duas exposições simultâneas: Raphael Couto e Cristina Lapo

A galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea abre duas exposições individuais, simultâneas, dos artistas Raphael Couto e Cristina Lapo, dia 22 de março, 4a feira, na Gávea, Rio de Janeiro.

Raphael Couto: Tronco

Raphael Couto apresenta sua segunda individual na galeria, Tronco, resultado de experimentações recentes baseadas na performance e seus desdobramentos: vídeos fotografias. “Essas ações, encontros entre corpo, arquitetura e natureza, partem de um desejo de um corpo mais físico em sua totalidade – ao mesmo tempo estranho e harmônico no ambiente”, explica o artista.

“Diferentemente das produções anteriores – que tinham o corpo como suporte de intervenções, dando a este um caráter de objeto, nesta exposição o corpo é apresentado em situações de sustentação, resistência e equilíbrio, afetado pelos diversos ambientes ao redor: casa, quintal, mata, ateliê”, explica Raphael.

O artista apresenta três vídeos e seis fotografias realizadas em duas residências recentes.

O vídeo Tronco que intitula a exposição, desenvolvido durante residência na zona rural de Brasília, coloca o artista numa conversa com a própria natureza do cerrado, frágil e resistente, que se organiza num ciclo intenso de vida e morte – onde incêndios e regenerações se sobrepõem.

Ao vídeo seguem fotos homônimas, realizadas em duas residências (Brasília e Resende/RJ), onde há um diálogo com a estrutura tronco; seja no apoio nessa natureza-morta, seja no prender-se à terra – a mesma que sustenta e mantém vivos os pinheirais que rodeiam o artista.

Na série de fotografias intitulada Faixas, o corpo atravessado por uma faixa adesiva, normalmente utilizada em fisioterapia, é pensado no ambiente arquitetônico – onde chão e parede do ateliê, reforçam a sua presença. Em uma referência direta à videoperformance de Bruce Nauman “Walking in an Exaggerated Manner Around the Perimeter of a Square” (1967-8), o corpo ocupa os espaços de modo escultórico, criando jogos de força e equilíbrio restritos pela faixa cromática.

O vídeo Pedra enfatiza a plasticidade do corpo, quando, ao pendurar uma pequena pedra no pulso, é criada uma espécie de “dança” no repuxar da pele, e o vídeo Vertigem, onde mastigo e regurgito o livro homônimo do escritor alemão, WG Sebald; – onde um corpo que caminha pelo mundo (e se afeta por este com crises de vertigem) afeta o corpo do artista, no exaustivo e repetitivo processo.

Sobre o artista:

Raphael Couto possui mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes (UFF) e seus trabalhos integram importantes coleções privadas, incluindo as de Joaquim Paiva, Vanda Klabin, Afonso Costa e Gilberto Chateaubriand (em comodato no MAM/RJ).

Em 2014, realizou sua individual Atravessamentos na galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, participando também nas feiras ArtRio e SP-arte subsequentes. Entre os festivais e eventos de performance, destacam-se o LaPlataformnace (São Paulo/SP) Corpus Urbis, em Macapá/AP, o Ruído Gesto em Rio Grande/RS e a mostra P.Arte, em Curitiba/PR, além do Encuentro Latinoamericano de Performance, no Museu de Arte Contemporâneo Argentino, em Junín – Buenos Aires.Em 2015 atuou como curador de duas edições do Codorna Performa, evento de performance em seu ateliê no centro histórico do Rio de Janeiro, além da exposição coletiva Bordaduras Contemporâneas, no Espaço Cultural do Colégio Pedro II. Participou também das residências Performance Participação Política, em Brasília; Vigiai e Bordai, em Resende/RJ, LaPlataformance, em Cananeia/SP, Estação Nuvem, Visconde de Mauá/RJ e Periférico, no Departamento Nacional do Sesc, no Rio de Janeiro.

Cristina Lapo: Entrelinhas

Em seus trabalhos, Cristina Lapo manipula de várias maneiras elementos básicos: ponto, linha e plano. Ela se interessa por esgarçar as possibilidades de combinações desses elementos e de seus atributos. Assim, a linha pode assumir diversas características visuais. Desenhos produzidos por sulcos em uma superfície, que ficam no limite da representação figurativa de objetos conhecidos, mas que não o são de fato; linhas que aparentam se movimentar no espaço – mas estão em uma superfície plana –, como um registro fotográfico no tempo; e conjuntos de linhas agrupadas ordenadamente sobre um plano, representando outros planos, que remetem a arquiteturas, embora sejam abstrações.

Os planos, em alguns trabalhos, se expandem fisicamente para o espaço expositivo, para a arquitetura real onde estão inseridos, nem sempre acompanhando a sua ortogonalidade. As linhas, por vezes, são coloridas, largas, finas, ou se dissolvem como em uma pintura. Em alguns trabalhos, elas ganham o espaço (às vezes duplicando-se visualmente), extrapolam as duas dimensões, tendo corpo, massa, volume: materialidade. Nesse rompimento, as linhas transpassam (ou ligam) pranchas em pontos específicos – calculados com precisão –, unindo planos distintos e criando novos entre os seus espaços, bem como formando volumes adicionais. Segundo Lapo, “a linha tem uma enorme energia, nunca é estática, é o deslocamento de um ponto, uma trajetória com movimentos: horizontal, vertical, diagonal”.

Na geometria, o ponto tem uma dimensão mínima, infinitesimal, e um conjunto deles forma uma reta, que, por sua vez, com outras, faz um plano, e planos agrupados produzem volumes. Esta, por sua vez, causa reflexão, deslocando o pensamento de quem a observa, e, do mesmo modo, provoca a deslocação do corpo no espaço, pois cada perspectiva, cada ponto de vista (físico ou intelectual), lhe confere um sentido singular. O olhar vai em linha direta até a obra, escaneando-a em planos, como em uma tomografia, e, depois, o cérebro junta tudo para formar uma imagem mental. Segundo Lapo, “a tentativa de desvendar a obra, por parte do espectador, é outro tipo de exploração da tridimensionalidade do trabalho”. E é isso que a artista quer provocar. Com as linhas que desenha, abrem-se espaços (entre elas), os visíveis na obra, e espaços são abertos na mente de quem observa os trabalhos, pois nem tudo é explícito, há sempre algo nas entrelinhas.

Na exposição a artista apresenta em torno de seis esculturas de parede, inéditas, de formas geométricas, em diversas cores e formatos.
Sobre a artista:

Cristina Lapo nasceu no Rio de Janeiro em 1981. De 2000 a 2001, estudou na Inglaterra no Kent Institute of Art & Design e, na sequência, até 2004, fez bacharelado em Comunicação Visual (Ilustração) na University of Central England. Depois, diplomou-se em Ilustração pelo ETIC Design Instituto, em Lisboa, Portugal. Fez pós-graduação em Belas Artes no Instituto de Arte de São Francisco, nos Estados Unidos, em 2011, e concluiu o mestrado em Belas Artes na mesma instituição em 2012. De volta ao Brasil em 2014, estudou no Parque Lage com Franz Manata, João Carlos Goldberg e Iole de Freitas. A artista já mostrou seus trabalhos em exposições em Portugal, EUA e Brasil, incluindo participação na Art Rua e na ArtRio.

Exposições:

Tronco de Raphael Couto

Entrelinhas de Cristina Lapo

VERNISSAGE: Quarta-feira, dia 22 às 19h

QUANDO: 22 de março a 29 de abril de 2017.

ONDE: Mercedes Viegas Arte Contemporânea

HORÁRIO: De segunda a sexta, das 12H ÀS 19H. Sábados: 15h às 19h

Tel: (21) 2294-4305

Rua João Borges, 86 – Gávea, Rio de Janeiro.

 

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