Projeto “A Palavra Líquida” fala das questões de gênero por meio da arte

Projeto “A Palavra Líquida” fala das questões de gênero por meio da arte

O artista carioca Fábio Carvalho participa da exposição “A Palavra Líquida”, que abre terça, dia 14 de março, 18:30h, na galeria Casa Rosa do Sesc Tijuca , Rio de Janeiro. Integram ainda esta exposição coletiva os artistas Diego Ciarlariello (SP) e Tales Frey (Portugal).

Cada vez mais, a linguagem literária não está apenas no papel: ela se molda nas artes visuais, em hipertextos, hiperlinks e é instrumento de criação em várias interfaces. Essa é a essência do projeto multilinguagem “A Palavra Líquida”, que no ano em que as discussões de gênero estão em evidência, trata deste tema mixando mesas literárias, exibições de filmes, peças de teatro, exibições de artes visuais e apresentações de dança e música. O Sesc Tijuca reservou a Casa Rosa, espaço que permite diferentes formatos culturais, para receber a programação de “A Palavra Líquida I Questões de Gênero”. Partindo da Literatura e se desdobrando com atividades no audiovisual, no teatro, na dança, na música e nas artes visuais, a terceira edição do “A Palavra Líquida” tem idealização e curadoria da equipe da Gerência de Cultura do Sesc.

“O trabalho de Fábio Carvalho é uma critica à normatização do masculino e do feminino. O artista utiliza-se de brinquedos de meninos, soldados, heróis, cuja aparência exacerba os músculos, o rosto geometrizado, as poses endurecidas, e os enche de flores de plástico. Assim, o alegórico executa uma alteração. Judith Butler, grande teórica dos estudos sobre gênero, nos explica que é necessária a repetição e a exibição de atitudes estereotipadas para garantir os distintivos entre macho e fêmea. O artista alegoriza a imagem nas estratégias de formação masculinas, fazendo do gênero uma evidente fantasia”. (texto da Gerência de Cultura do Sesc)
Na exposição Fábio Carvalho apresentará 7 objetos e 6 colagens sobre tela da série Macho Toys (2009/2013), bem como 6 colagens sobre tela da série Dos que partem, aos que ficam (2010/2011).

Na série “Dos que partem, aos que ficam” o artista usou fotos tiradas por soldados da I Guerra Mundial, pouco antes destes partirem para o campo de batalha, muito provavelmente para serem deixadas com as famílias, como uma lembrança. Para muitas destas pessoas, esta foi a primeira e última foto que fizeram em todas as suas vidas, e são imagens carregadas de bravura, heroismo, altivez, e em algumas há também uma extrema ternura, ou talvez já uma nostalgia, por conta do futuro incerto não só para os que partem, mas também para os que ficam. Este uso particular da fotografia, num tempo em que esta ainda era um objeto precioso, lembra o mito grego da origem da pintura, como narrado por Plínio, o velho. Pois afinal o que é uma fotografia a não ser um espectro de uma ausência, uma sombra, a materialização de um vazio?

Já a série “Macho Toys” surgiu a partir de uma reflexão sobre os elementos que constituem as expectativas sobre gênero, sexualidade, etc; como por exemplo os brinquedos que as pessoas dão aos seus filhos ­ bonecas, jogos de chá e jantar de miniatura, e outras atividades domésticas ou delicadas para meninas; bolas, carros, armas, soldados e brincadeiras mais ativas e de força para meninos, que mesmo não intencionalmente são usados para direcionar e moldar a futura personalidade destas crianças. A série “Macho Toys” opera justamente na superposição e no conflito entre elementos tradicionais do universo feminino, em particular os padrões decorativos florais, e a louça de porcelana, com os estereótipos de masculinidade, como o soldado, o executivo bem sucedido, o halterofilista, o cowboy, etc.
Depois de explorar o universo dos brinquedos, ou seja, o universo da infância, a série “Macho Toys” seguiu para o mundo adulto, onde os estereótipos de virilidade estão já bem consolidados: o soldado, o halterofilista, o operário e o executivo bem-sucedido. Neste momento, surgiram os trabalhos que usam como base do processo capas e propagandas de revistas antigas de teor masculino tradicionalista, sobre as quais foram aplicados decalques florais e douração com transfer ouro.

Na exposição A Palavra Líquida serão apresentados ainda peças da série “Macho Toys – publicações” feitas a partir de capas e propagandas de revistas antigas de fisiculturismo, que desde aquele tempo, até os nossos dias, agora em novas mídias e novos modelos de corpos, indicavam qual era o tipo mais perfeito e ideal para um “verdadeiro homem viril”.

Fábio Carvalho procura com seu trabalho questionar o senso comum de que força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade não podem coexistir, e nos lembrar que tudo aquilo que nos parece eterno e definitivo, como tudo na cultura humana, são na verdade resultado de acordos no tempo e espaço.

Diego Ciarlariello apresentará a série Entre Gêneros; 17 fotografias de artistas que captam as particularidades de cada retratado, com fotos que dialogam com o meio em que os artistas vivem, sejam nas grandes metrópoles ou numa cidade pacata do interior. Mostram a força de cada um, destacando a coragem de existir e as transgressões em várias épocas.

Tales Frey trará para a exposição o vídeo (TRA) VESTIR UM FA(C)TO, trabalho desenvolvido em parceira com Paulo Aureliano da Mata (Portugal/ SP). O vídeo expõe dois corpos masculinos e cada qual com dois tipos de fato de casamento: ora um fato considerado masculino ora um fato considerado feminino. Tales também realizará no dia a abertura a performance F2M2M2F. Dois corpos beijam suas próprias imagens refletidas em um único espelho de dupla face durante uma hora ininterruptamente, enquanto transitam pelo espaço.
SERVIÇO:
Exposição A Palavra Líquida (Questões de Gênero)
abertura dia 14/3/2017, 18h30
exposição até 16/4/2017
terça a domingo, 9h às 18h
Local: Casa Rosa | SESC Tijuca
rua Barão de Mesquita, 539 | Tijuca | Rio de Janeiro | RJ
telefones (21) 3238-2139, 3238-2164, 3238-2439

Fábio Carvalho
Artista carioca em atividade desde 1994, com 16 exposições individuais e mais de 150 coletivas no Brasil e exterior. Sua formação artística se deu na Escola de Artes Visuais do Lage, além de vários cursos livres no Rio e em Londres. Atualmente o artista encontra‐ se muito ativo em Portugal, onde participou de 7 residências artísticas e de diversas exposições, e realizou 3 projetos de Intervenção Urbana.
www.fabiocarvalho.art.br


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