Tudo que você precisa saber sobre arte conceitual e quatro artistas incríveis para se inspirar

Estilo nasceu como um desafio às classificações impostas por museus, questiona o valor da arte e critica a produção em massa

A arte conceitual é aquele tipo de arte que muitas pessoas olham e pensam “é sério?”. Entretanto, o que muita gente não sabe é que por trás de uma pintura, um objeto ou uma intervenção que parece rasa ou até mesmo vazia e ridícula, existem conceitos extremamente profundos e coerentes.

O estilo nasceu em 1960, como um desafio às classificações impostas por museus e galerias, que afirmavam categoricamente que o que era e o que não era arte, enquanto a conceitual buscava questionar a própria natureza da arte e reagir à arte considerada mercadoria.

Assim, alguns artistas se destacaram, causando grandes impactos na época e refletindo até hoje. Por isso, o Guia da Semana lista alguns deles, com obras marcantes que você precisa saber mais a respeito. Confira:

MARCEL DUCHAMP

Ao levar um urinol produzido em massa para um Museu, Duchamp sugeria aos espectadores que refletissem sobre suas ideias preconcebidas a respeito do que era arte e sobre como os museus atestavam a autenticidade das obras de arte.

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PIERO MANZONI

Assim como Duchamp, Piero Manzoni questionou a natureza da arte criticando a produção de massa e o consumo de um modo particularmente provocativo. Produziu 90 latinhas com rótulo Merda d’artista e cada uma delas continha suas fezes e valia o seu peso em ouro.

Como se aceitava que abrir as latinhas seria destruir o valor da obra, durante muito tempo não se soube o que havia dentro delas, de fato. No ano de 2007, depois que algumas foram vendidas por USS 80 mil, o colaborador de Manzoni afirmou a um jornal italiano que as latas continham gesso.

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JOSEPH KOSUTH
O artista Joseph Kosuth organizou no MoMa de Nova York a exposição “Informação”, que colocava as obras como fonte de informações e ideias e não como uma concepção estética. Na mostra, as chamadas Uma e Três Cadeiras foi sua contribuição e, segundo ele, “a expressão está na ideia e não na forma, as formas são apenas um artifício da ideia”.

A obra contém três formas de uma cadeira: uma cadeira dobrável comum, uma fotografia em prata coloidal de uma cadeira e a imagem aumentada de sua definição no dicionário. Assim, a obra estimula o espectador com a forma física, representativa e verbal do objeto. Enquanto a arte conceitual pergunta “o que é arte?”, esta obra pergunta “o que é uma cadeira?” e “como passamos a reconhecê-la como tal?”.

Dessa forma, Kosuth questiona como as representações e os relatos de certo tema se relacionam com o próprio tema.

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JOSEPH BEUYS

Pelas mãos de Joseph Beuys, a arte conceitual desafiou o status quo político e cultural, buscando dar visibilidade à autoridade e, muitas vezes, desafiando-a diretamente. Na obra “Como explicar quadros a uma lebre morta”, o artista caminhou por uma galeria durante três horas carregando uma lebre morta.

Com o rosto e o corpo cobertos por tinta dourada, transformou-se em um xamânico e durante a exposição, movia os lábios como se estivesse mesmo explicando as imagens para o animal morto. Mas, o que isso significa?

Por trás de toda a performance, Beuys queria mostrar ao público a necessidade de compreender a arte tanto espiritual quanto intelectualmente – ideia que saía das galerias e ia também para as salas de aula.

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Fonte: Nathália Tourais – Guia da Semana.

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